Artrite Idiopática Juvenil

A Artrite Idiopática Juvenil (AIJ), previamente chamada de artrite reumatoide juvenil ou artrite crônica da infância, refere-se a um grupo de doenças caracterizadas por artrite crônica que ocorrem em crianças e adolescentes até os 16 anos. A principal manifestação clínica é a artrite, caracterizada por dor, inchaço e aumento de temperatura de uma ou mais articulações. A dor pode ser mínima ou inexistente.

É uma doença frequente?

A incidência da Artrite Idiopática Juvenil é desconhecida no Brasil, mas observa-se que não é rara. Estudos em outros países mostram uma grande variação (cerca de 0,1 a 2 em cada mil crianças).

O que causa a Artrite Idiopática Juvenil?

A causa exata da AIJ não é conhecida. Uma hipótese é que a artrite possa ser desencadeada em crianças geneticamente predispostas após estresse psicológico, alteração hormonal, trauma articular, infecção viral ou bacteriana. A artrite não é uma doença infecto-contagiosa e os pacientes podem frequentar normalmente creches, escolas, clubes e piscinas.

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Quais os tipos mais comuns de Artrite Idiopática Juvenil?

Existem três tipos mais comuns: AIJ oligoarticular, AIJ poliarticular e AIJ sistêmica. Outros dois tipos menos frequentes são a artrite psoriásica e a artrite relacionada à entesite.

1. Na oligoarticular, são acometidas até quatro articulações, sendo os joelhos e os tornozelos as mais frequentes. Crianças com este tipo de doença devem fazer avaliações oftalmológicas constantes, pois os olhos podem ser acometidos por inflamação (uveíte), que geralmente não apresenta sinais externos ou queixas pela criança. Podem ocorrer complicações como glaucoma, catarata e até mesmo diminuição da visão. Daí a importância da detecção precoce por meio de exames oftalmológicos periódicos (biomicroscopia) e acompanhamento regular a cada quatro meses. A uveíte pode aparecer antes, simultaneamente ou anos depois da artrite. A maioria da oligoartrite pode ter cura, mas o tratamento deve ser feito para cessar a inflamação articular que leva a dor, deformidades e comprometimento do crescimento do membro acometido.

2. No tipo poliarticular, cinco ou mais articulações são envolvidas, com destaque para os joelhos, tornozelos, quadris, punhos, cotovelos e as pequenas articulações das mãos e dos pés. Pode haver febre intermitente. Tratamento medicamentoso e exercícios são propostos e devem ser iniciados precocemente.

3. O tipo sistêmico caracteriza-se pela presença de artrite associada à febre alta em um ou dois picos diários (= 39º C), manchas vermelho/rosáceas na pele, gânglios (ínguas), serosite (inflamação da pleura e do pericárdio com dor no peito e dificuldade para respirar) e aumento de fígado e baço ao exame clínico. A criança fica muito abatida no momento da febre.

4. Na artrite psoriásica, a criança manifesta artrite e tem lesões de psoríase ou artrite e história familiar de psoríase.

5. Artrite relacionada à entesite em que crianças maiores, principalmente meninos, podem apresentar artrite em poucas articulações, e inflamação em enteses (pontos de inserção de tendão, ligamentos no osso), como no calcanhar, em torno da patela (joelho).

Como se diagnostica a doença?

Não há exame que faça o diagnóstico de AIJ.O diagnóstico é clínico e baseia-se na presença de artrite em uma ou mais articulações com duração acima de seis semanas. Conforme o tipo, a criança pode manifestar febre alta principalmente à tarde por período maior que duas semanas. É importante definir que não há outra causa para a artrite como infecção. Além da dor, a criança mostra limitação de movimento e inchaço articular. Há uma certa dificuldade na movimentação ao acordar (rigidez matinal), fraqueza ou incapacidade na mobilização das articulações.

Quanto tempo dura o tratamento?

Em muitos pacientes a doença é controlada até o final da adolescência. No entanto, alguns podem apresentar doença crônica com períodos de melhora e piora que persistem até vida adulta. Nestes casos deve ser feita uma transição lenta para o reumatologista de adultos. Muitos adolescentes são “rebeldes” ao tratamento e devem ser conscientizados quanto à importância do uso contínuo de medicamentos. A responsabilidade, que sempre é dos pais ou responsáveis até os 18 anos de idade, deve ser transferida gradualmente ao paciente de maneira firme e segura.

O que pode acontecer se o tratamento for interrompido?

A interrupção do tratamento sem orientação médica pode ter consequências graves e irreversíveis, como piora da inflamação, deformidades articulares, destruição da cartilagem e piora da capacidade física. Os pais devem garantir a ingestão dos medicamentos e conversar com os filhos sobre a doença, reforçando a importância do tratamento, especialmente nos casos de pacientes adolescentes.

Qual a importância da fisioterapia e dos exercícios físicos?

A fisioterapia é fundamental para a manutenção e recuperação da mobilidade das articulações acometidas e deve ser iniciada assim que possível. Seu principal objetivo é reabilitar o paciente para a realização das atividades diárias rotineiras, através do fortalecimento dos músculos, alongamento de tendões e aumento da amplitude de movimento articular. Métodos que utilizam frio sobre a articulação inflamada são válidos para o controle da dor e diminuição do edema especialmente nas fases iniciais da doença.

O fisioterapeuta poderá orientar a família na utilização de adaptações para uso em tarefas diárias (alimentação, escrita, etc) e na realização de exercícios em casa. As crianças devem ser estimuladas a ter uma vida mais saudável. A prática de esportes deve ser supervisionada por um especialista em reabilitação e as articulações protegidas contra possíveis traumatismos. Esportes com impacto como o futebol e o vôlei devem ser evitados nas fases iniciais do tratamento. A natação pode ser sempre estimulada.

Aspectos emocionais da criança com artrite

A doença crônica tem um impacto em várias dimensões da vida da criança e dos familiares: aspectos físicos, emocionais, sociais, educacionais e econômicos. Com isto, a dinâmica da família pode alterar-se significativamente. A troca de informações entre o paciente, seus familiares, o reumatologista pediátrico e os demais profissionais relacionados (fisioterapeuta e psicólogo) é fundamental para que este impacto seja reduzido.

Os pais devem estar atentos, uma vez que poderão ser observadas modificações no comportamento da criança com artrite, especialmente devido à presença da dor e diminuição da capacidade física. Algumas crianças podem ficar tristes enquanto outras podem sentir raiva de intensidade variável. Em alguns casos pode ser observado sentimento de culpa nos pais ou nos irmãos, que satisfazem todas as vontades dos pacientes, levando a um “ganho secundário”. Este processo dificulta o retorno da criança com artrite para uma “vida normal”. As crianças com artrite devem ser estimuladas a retomar o mais breve possível a sua vida social e escolar. Conversas francas entre todos os membros da família são de grande ajuda. Em alguns casos é indicado o acompanhamento por especialista em saúde mental (psicólogo ou psiquiatra) aos pacientes, pais ou ambos.

No âmbito escolar, o professor deve ser orientado sobre a doença. As necessidades pessoais deverão ser avaliadas e respeitadas. Uma vez que a incapacidade física tem melhora lenta, as atividades intelectuais e artísticas devem ser estimuladas e valorizadas.

Fonte: Sociedade Brasileira de Reumatologia (https://www.reumatologia.org.br/doencas-reumaticas/artrite-idiopatica-juvenil)

Dr. Guilherme Tres

Médico Reumatologista, graduação em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS (2014) (melhor universidade privada do país pelo ranking da Folha).

  • Residência médica em Medicina Interna pelo Hospital Nossa Senhora da Conceição - Porto Alegre (2015-2016)
  • Residência médica em Reumatologia pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (2017-2018)
  • Formação com enfoque em atendimento humanista, ético e baseado em qualidade técnica e evidências científicas. (2019-atual)
  • Médico do corpo clínico e do serviço de Reumatologia do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre (HMV) (2019-atual)
  • Médico reumatologista teleconsultor no TelessaúdeRS. 2017-2018
  • Residência médica em Reumatologia pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA/UFRGS) (2015-2016), melhor universidade federal do país pelo ranking do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação (MEC)
  • Residência médica em Clínica Médica pelo Hospital Nossa Senhora da Conceição de Porto Alegre (HNSC) (2009-2014)
  • Médico teleconsultor do TelessaúdeRS (2019-atual)

O QUE FAZ UM REUMATOLOGISTA?

Médico especializado no diagnóstico e tratamento de doenças
que afetam os ossos e as articulações, além de doenças
autoimunes sistêmicas, comumente referidas como doenças reumáticas.

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